Marx é o homem mais difamado e incompreendido da história.
Aposto que quem escreveu esse texto nunca o leu ! (cf.:http://www.implicante.org/artigos/marilena-chaui-e-o-grito-primordial-eu-odeio-a-classe-media/#comment-29027).
Classe social é um conceito-chave para entender o mundo
burguês (capitalista), gestado no feudalismo europeu e consolidado com a
revolução industrial do século XIX, no âmbito mundial. No Brasil, o mundo
burguês foi formado no século XIX e desenvolvido a partir de 1930. A dominação
burguesa supõe a espoliação dos trabalhadores (não detentores dos meios de
produção) tornando-os livres, isto é, despossuídos e detentores apenas de sua
força de trabalho, vendida em troca de salário.
Grosso modo, o capital não é um ativo, mas uma relação
social opressiva e repressora, surgida historicamente e que se fundamenta na
exploração do trabalho. Surge na forma mercantil e se desenvolve a partir das
formas industrial, financeira, imobiliária etc. O capital divide os homens através da repartição/apropriação
da riqueza produzida pelo trabalho: salário, lucros e rendas. Se você vive do
seu trabalho/salário você faz parte da classe trabalhadora, senão, se você não
precisar ou não tiver uma carteira de trabalho, se você viver de renda ou de
lucros, você é um burguês!!! Há burgueses e burgueses..., proletários e
operários, lumpemproletários e desclassificados, camponeses e sem terras etc.
A classe média é por definição reacionária. Ela tem aversão
por ser confundida com as classes trabalhadoras, embora também seja
assalariada. Ela se diferencia por ter maior formação. É socializada para
representar a ordem, para servir às classes dominantes através das profissões
liberais, da burocracia estatal e dos três poderes. A classe média reclama do
Brasil, mas vai para os EUA e acha tudo lindo, mas não sabe nada sobre o seu
país. A classe média é o sujeito histórico do Shopping Center,
fazendo compras... A pequena burguesia faz parte de suas fileiras. Existe,
porém, pessoas da classe média que se tornam intelectuais críticos, como Sérgio
Buarque de Holanda, Antônio Cândido etc.
É óbvio, classes sociais não é categoria empírica,
mensurável, mas um conceito teórico e fundamental para entender o mundo, como
diria Adorno. Só positivistas como Witehead, para balbuciar tolices, vão procurá-la na consciência subjetiva dos agentes; aquilo que é,
por definição, um fato objetivo independe da consciência dos sujeitos individualmente. As classes sociais são categorias históricas mudam, portanto,
e personificam relações sociais de produção, porque, afinal não é
deus quem mantêm os homens vivos, mas o trabalho social: o fundamento da
existência humana (lembre-se: trabalho e linguagem não se dissociam).
É simples: Se não houvesse classes sociais, as pessoas não
precisariam trabalhar todos os dias! Viveríamos num mundo emancipado, o que Marx prognosticou e soube extrair do desenvolvimento contraditório do capitalismo: o socialismo. Este depende da consciência e ação política dos trabalhadores.
Vamos lê-lo, pois assim torna-se fácil não se
abalar com seus críticos conservadores, liberais e reacionários de meia tigela,
cujo saber destina-se aos rentistas e espoliadores de mais valor.
Ps. Todos têm que ler Marx antes de falar qualquer bobagem
sobre ele! A Marilena Chauí, apesar de ser uma intelectual do PT, leu Marx e
conhece a classe média! Não há nada demais nisso que ela falou. Só acrescentou
a especificidade brasileira. De resto, o século XIX já havia dito.
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