não foi como desejado.
Feito tudo na vida que
transborda vontade
explode pulsões
jamais realizando os desejos.
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Suspendo-o por hora,
ao menos o desejo
do seu desejo.
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É pois, a expectativa
inimiga da esperança.
Ela é ansiedade, a outra espera.
Sua frustração abaixa a maré
a outra faz
o mar ressacar.
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Comigo não há mar em ressaca
nem esperanças,
apenas expectativas.
A esperança me distancia do agir,
inibe a imaginação de me conhecer
na expectativa pelo outro.
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É mar em ressaca cujas rédeas
pertence à Iemanjá,
enquanto o contemplamos distantes.
O malogro das expectativas
abaixa a maré e nos faz
avançar entre umas e outras.
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Marés baixas
fazem parte da
gravidade da lua.
Gestação natural,
ciclo do desejo,
de perpetuar-se.
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Existe porém o risco
de a lua estar prenhe de marés
cheias de vontades.
Resultado de pequenas migalhas
significativas e nobres,
o êxito revela a grandiosidade
dos detalhes,
alma grande
cuja permanência faz tudo valer.
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Tempos férteis de alegria
vivo a ensaiar na
minha ansiedade.
Sem dispensar conflitos
vislumbro simetria,
reciprocidade de gestos
e comunicação, contanto que
seja capaz sempre
de manter e elevar as expectativas.
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Pois de expectativa em expectativa se
irrompe o agir: ruminamos pulsões,
cavamos nossa profundidade.

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